Retratos do Fim da Linha

Caike, Paulo, Patrick e João.

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Caike, 5 Anos, quer ser jogador de futebol e nasceu na Portelinha.

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Paulo, 6 anos, quer ser jogador de basquete para ganhar troféu. Na escola gosta de matemática.

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Patrick, 8 anos, quer fazer obras quando crescer, como o avô. Talvez para consertar os enormes problemas da área onde vive.

João é um homem que vive cercado de crianças. Em seu pequeno quarto improvisado no antigo galpão da fábrica de escovas vive sozinho com 4 netos, sendo o maior deles com 8 anos. Não tem mulher e seu filho, pai dos 4 meninos, está preso há 7 anos. A mãe destes meninos os abandonou. João sustenta a todos com bicos que faz como pedreiro, mas no passado trabalhou em diversas indústrias da região, como a fábrica de parafusos Flecha, quando estas existiam. Nasceu em Minas Gerais, chegou ao Rio em 1961.

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João tem longa história de organização e ocupação de antigas fábricas e terrenos no Bairro do Jacaré. Foi presidente da Associação dos Moradores do Chupa Cabra, um aglomerado de casas que abrigava cerca de 100 famílias e ficava em perigoso terreno, abaixo da linha do Metro e do lado da linha do trem, entre trilhos. As pessoas foram retiradas do local e João se mudou para uma antiga fábrica de beneficiamento de leite CCPL, que chegou a reunir 1500 famílias. A fábrica foi implodida, aos moradores foram prometidas casas, mas João diz que nada ganhou, sem muito explicar diz que teve de se mudar para outra ocupação. O lugar onde vive há cinco anos, a Portelinha, em breve será desocupado. Todos os moradores, as 90 famílias que ali vivem, têm a promessa de serem reassentados, ganhando um apartamento novo a ser construído na região.

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João é uma liderança local e faz um discurso de reivindicação social, com duras críticas aos serviços públicos oferecidos, à saúde, e principalmente à falta de espaços de lazer para seus netos. O homem, que já trabalhou em São Paulo, comenta que naquela cidade existem mais opções de lazer gratuitas do que no Rio, destacando os parques da capital. Ele diz que o povo não quer sair da Portelinha para ir para um lugar distante, apesar da absoluta precariedade da invasão. “As pessoas querem empregos na área onde vivem”. João sonha com o retorno dos empregos para o antigo Distrito Industrial. Esta região viveu um período de ouro com centenas de indústrias e fábricas ativas, hoje resta apenas uma sombra do que já foi. João tem esperança de um dia abrir a porta e não se deparar com esgoto, em não ter ratos dentro de casa. “Quem mora em invasão quer moradia”.