Retratos do Fim da Linha

Ana lucia

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Ana Lucia mora no segundo andar do prédio abandonado. O pequeno espaço que vive é uma rústica divisão, feita com materiais precários, da área da antiga fábrica. Um buraco na parede que dá para a movimentada rua da frente garante a entrada de luz e ar. Conta que é afetada por muitos mosquitos e ratos, que sua saúde muito frágil, sendo portadora de uma diabetes de altos níveis. É acompanhada no posto de saúde próximo. Veio do Estado do Espírito Santo para o Rio há 30 anos, acompanhada de 12 irmãos. Comenta que todos os irmãos são falecidos. Ana chegou ao Carandiru depois de perder a casa onde morava. Residia com a mãe no Jacarezinho, mas quando esta faleceu, há 8 anos, a casa ficou com os filhos do padrasto e ela ficou sem lugar.

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Ana descreve, comovidamente, que mora com duas netas, mas estas estão atualmente internadas num abrigo. A mãe das meninas, sua filha, é consumidora de crack e moradora de rua. Por conta da diabetes Ana passou dois meses internada e as crianças precisaram ir para um abrigo público. Fala que vai com frequência ao abrigo para levar comida para as netas.

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Sobre o Carandiru ressalta que sonha muito em sair dali, pois a questão dos mosquitos é gravíssima. Também tem problemas com abastecimento de água que nem sempre chega até sua casa, precisando ela subir as perigosas escadas com latas d’água. Em dias de chuva a água misturada a esgoto invade a casa, o que causa muitas doenças nas crianças. “Aqui é lugar pra gente pedir socorro!”.