Retratos do Fim da Linha

Margarida

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Dona Margarida tem 67 anos, é viuvá, mora com 5 netos e duas filhas num barraco localizado no antigo galpão da fábrica, galpão do qual resta hoje apenas o espaço e a estrutura metálica que sustentava o telhado. É originária da região de Cataguases em Minas Gerais, de onde veio criança fugindo da miséria da zona rural. Dona Margarida levanta com dificuldade do sofá. Diz que está muito cansada pois passa o dia caminhando. É catadora de material reciclado e a dureza da atividade abala a sua já frágil saúde. É diabética, tendo sofrido dois infartos há não muito tempo. Apesar da idade para se aposentar conta que não consegue o benefício pois falta uma certidão de casamento que perdeu quando sua antiga casa veio à baixo. Morava numa casa estava muito velha no Jacarezinho e estadesabou após uma chuva forte, soterrando seus pertences e documentos. Foi parar no Carandiru com a ajuda do filho. Faz elogios à saúde prestada no local pela Clínica da Família, descreve que após uma internação foi atendida diariamente em casa por agentes de saúde. “A doença é muito dura mas não é invencível”.

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