Retratos do Fim da Linha

Cristina Maria

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Cristina não mora na Antiga Company, no entanto 8 familiares seus habitam a antiga fábrica de roupas jovens. A senhora não mora oficialmente, mas passa seus dias ali, cuidando de uma neta com problemas mentais. Cristina tem uma fala acelerada. Conta que fez diversas melhorias na entrada da invasão desde que começou a frequentar o lugar há 5 anos. A única entrada era muito degradada mas com a ajuda de Cristina os moradores conseguiram melhorar o piso e organizar relativamente os esgotos. Sua filha chegou à invasão pois queria morar sozinha. Ela ajudou a mesma a comprar o espaço que ocupa. Enquanto a filha trabalha Cristina cuida da neta que frequenta algumas vezes por semana um centro de reabilitação. A mulher é chamada de “síndica” por alguns moradores do local, por sua disponibilidade de articulação. Ela também é quem recebe as correspondências e as entrega aos moradores. São 45 famílias que residem neste local. Comenta que a situação da estrutura do prédio é precária, com dois pavimentos, o andar de cima encontra-se sobrecarregado. O medo de desabamento é constante. Conta que são muitas infiltrações, que as moradias do andar térreo sofrem com vazamentos dos banheiros de cima e quando chove é um temor generalizado de colapso da estrutura. Conta que ficou 8 meses internada recentemente, e afirma que – “É estresse o tempo todo viver aqui”.

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