Retratos do Fim da Linha

Osmar, Juliana e o filho

O casal tem um filho e está nesta ocupação desde 2003. Juliana, que já trabalhou como camareira em hotel, veio da favela Mandela de Pedra, no Complexo de Manguinhos. Conta que se adaptou facilmente pois morava num local tão precário quanto este. Já seu marido diz que não achou nada fácil, ele veio do Jacarezinho e precisou se mudar pois não conseguia pagar o aluguel. No andar térreo, onde moram, não tem iluminação natural, e sua casa não tem janela. Foi necessária a instalação de um telhado, mesmo a casa estando na parte interna da invasão, para evitar infiltrações e alagamentos, o que funciona só em parte.

JacareLR-75

Osmar é porteiro de um prédio na Tijuca. Conta que sente preconceito por morar onde mora, preconceito que é transmitido no olhar, segundo ele. No seu trabalho ninguém sabe de sua vida, de suas condições de moradia, então neste espaço o preconceito não aparece, se manifesta é na rua mesmo. “Somos desprezados por morar aqui. Muitos ali fora nos olham assim. Mas todos vamos, no fim, para o mesmo lugar, levar uma pá de barro na cara”. Quer sair dali para “ter uma vida adequada, não como a de muitos, mas digna”. Fala que seu filho, as crianças da área, precisam de espaços de esporte e lazer. Cita o caso da Vila Olímpica da Mangueira, acrescentando que muitas pessoas se mudam para a Mangueira por causa deste equipamento público.

JacareLR-76 JacareLR-77