Retratos do Fim da Linha

Rosane

Rosane, que é nascida e criada na região do Jacaré, relembra o período em que este bairro era um celeiro de empregos. Reclama especialmente da ausência de opções de esporte e lazer para as crianças. Mesmo assim, leva a vida com bastante alegria, focada no desenvolvimento de seus filhos, que sempre afirmam que um dia darão uma vida melhor a ela.

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Já fazem 10 anos que Rosane se mudou para a Antiga Company. Antes morava com a mãe na Matapi, outra invasão. Queria viver sozinha com seus filhos então fixou residência nesta invasão. Escutou que havia uma fábrica abandonada sendo invadida, agarrou a oportunidade e comprou com muita dificuldade um barraco no andar superior. Vive sozinha com três filhos, não tem marido. Trabalha como diarista, única atividade que exerceu na vida. Rosane é inconformada com as condições em que vive; sonha em oferecer melhores possibilidades para sua família. Queixa-se da grande quantidade de ratos que dividem o mesmo espaço com a população que habita a fábrica. Relata que quando chove é acometida de intenso temor, pois sabe da fragilidade da estrutura que sustenta muito mais peso do que foi projetada para suportar. Qualquer chuva provoca alagamentos que se infiltram pelo prédio e impedem a circulação. Relata o sufoco que é levar as crianças na escola em dias de chuva. Precisa pegar cada um dos filhos no colo e descer as perigosas escadas para evitar que estes se sujem. Diz que nestes momentos lança mão da fé – “Segura aí Jesus!”.

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