Retratos do Fim da Linha

Andrea

 

Andrea mora há sete anos na Adonis. Veio de um abrigo público localizado na Ilha do Governador, onde morava com dois filhos. Por conta de uma separação litigiosa foi encaminhada pelo estado para este abrigo. Lá conheceu seu atual companheiro, que já tinha um espaço no último andar da Adonis, “nos envolvemos, assumimos um compromisso”. Explica que não veio para ficar, mas foi ficando, pois “tinha que morar em algum lugar”, no entanto, sempre com uma intenção provisória. Trabalha como diarista, mas já foi auxiliar de produção numa fábrica e operadora de caixa num supermercado. Conta que saiu do mercado pela tamanha exigência de carga horária.

Sobre a Adonis Andrea é muito clara. – “Aqui não é um lugar que se dê pra morar. Não tem água. Corre o risco de desabar, a estrutura está muito frágil depois do incêndio no andar de baixo. A gente quer muito sair daqui, mas tem que esperar o governo reassentar, senão perdemos a nossa casa para outras pessoas. É um estresse terrível, no sentido psicológico”.

Seus filhos estudam numa escola beneficente de base neopentecostal. Andrea está completando seus estudos à noite numa escola estadual. – “Na minha adolescência tinha o sonho de entrar pra Marinha, mas me casei cedo, fui muito precoce. Quero estudar para conseguir algo melhor, me encaixar na sociedade. Quero fazer um técnico em laboratório. Estudo também pelos meus filhos, para ser um exemplo de que nunca é tarde para fazer o que a gente quer”.