Retratos do Fim da Linha

Andrea

Andrea morava no Jacarezinho antes de chegar à Direne. Na época vivia de aluguel, mas como muita gente ao seu redor, perdeu as condições de manter os pagamentos e acabou expulsa da casa junto com os filhos que tinha à época . Relembra que chegou à ocupação e arrumou um “cantinho” para a família, mas a situação era muito precária, pois todo o piso da área industrial, por algum motivo, estava coberto por uma abundante camada de óleo . Hoje reside com 8 filhos no primeiro andar de uma edificação que ainda resta da fábrica semidestruída. Andrea tem 33 anos, 8 filhos e 15 anos de vida em ocupação, ou seja, desde os 18 anos de vida habita este local improvisado. Sua larga família nuclear certamente se desenvolveu quase que toda dentro da Direne. Quantas gravidezes Andrea atravessou vivendo na antiga fábrica de utensílios plásticos?

“Não trabalho, vivo de Bolsa Família, recebo 500 e pouco e assim vou levando”. Andrea tem uma atitude bastante positiva da vida, especialmente para quem está na posição que está. Para um de seus filhos a vida é ainda mais dura, pois vive numa cadeira de rodas e aparenta ter sequelas de uma paralisia infantil. Andrea explica que há um ano o garoto era normal, mas foi atropelado por um caminhão justamente na porta da ocupação. Esta é uma região ainda industrializada e com a presença de muitos veículos pesados. Descreve que o garoto dos seus 15 anos chegou a perder massa encefálica, sobreviveu, mas ficou paralisado. Enquanto Andrea detalha esta tragédia algumas vizinhas levam o garoto para passear. “Assim vou vivendo até ganhar o condomínio que o Governo está prometendo”.

“A gente tem que ser forte se não desaba”, diz Andrea, para logo complementar que leva toda esta situação sem suporte de familiares, não tem marido e sua mãe passou a viver como mendiga há alguns anos. O bom humor de Andrea enquanto narra dificuldades tão pesadas é chocante. “A gente tem que ser alegre, se não, não consigo. Vou ficar chorando num canto? Não vou”.