Carandiru

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Invasão ocorreu há 8 anos. Ali funcionava uma fábrica de toalhas, roupas de banho, roupas de bebê. O antigo prédio e galpão foram transformados em residências. São 180 famílias que vivem na fábrica. Esta população tem a promessa de reassentamento pelo Governo do Estado.

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Sonia

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Sonia, que morava no andar de cima do prédio desta invasão, precisou se mudar para um quarto escuro e não ventilado no andar térreo.  Sua casa do último andar está em perigo, ameaçando ruir. O quarto onde mora atualmente é uma divisão improvisada de uma sala da antiga fábrica. São dois cômodos divididos por uma leve cortina. O feijão está no fogo e a televisão em altura máxima enquanto fala. Já está há 7 anos no Carandiru, antes morava no Morro do Azul, no Jacarezinho.

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Se mudou para a invasão pois não podia mais pagar aluguel. Mora sozinha com 4 crianças e uma adolescente. Não tem marido. Trabalha esporadicamente como faxineira, diz que nunca teve sua carteira assinada. Faz muitas queixas do lugar onde vive, principalmente os esgotos que correm nos corredores; as infiltrações que descem pelo seu quarto; os alagamentos que sofre; os mosquitos que atacam a todos ferozmente.

Ana Lucia

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Ana Lucia mora no segundo andar do prédio abandonado. O pequeno espaço que vive é uma rústica divisão das salas da antiga fábrica feita com materiais precários. Um buraco na parede que dá para a movimentada rua da frente garante a entrada de luz e ar. Conta que é afetada por muitos mosquitos e ratos, que tem a saúde muito frágil, portadora de uma diabete de altos níveis. É acompanhada no posto de saúde próximo. Veio do Estado do Espírito Santo para o Rio há 30 anos, acompanhada de 12 irmãos. Todos são falecidos. Chegou ao Carandiru depois que perdeu a casa onde morava. Residia com sua mãe no Jacarezinho, mas quando esta faleceu há 8 anos a casa ficou com os filhos do padrasto e ela foi para a rua.

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Ana descreve, comovidamente, que mora com duas netas, mas estas estão atualmente internadas num abrigo. A mãe das meninas e sua filha é consumidora de crack e moradora de rua. Por conta da diabete Ana passou dois meses internada e as crianças precisaram ir para um abrigo público. Fala que vai com frequência ao abrigo para levar comida para as netas.

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Sobre o Carandiru ressalta que sonha muito em sair dali, pois a questão dos mosquitos é gravíssima. Também tem problemas com abastecimento de água que nem sempre chega até sua casa, precisando ela subir as perigosas escadas com latas d’água. Em dias de chuva a água misturada a esgoto invade a casa, o que causa muitas doenças nas crianças. “Aqui é lugar pra gente pedir socorro!”.

Rosemari

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Rosemari chegou ao Carandiru há 8 anos. Morava com uma amiga por muitos anos, mas depois de uma briga esta a expulsou de casa, deixando-a na rua. Hoje mora num quarto com a filha de 11 anos no terceiro e último andar do Carandiru. Não tem outros familiares ou parentes.

É catadora de lixo, cata latinhas e garrafas, e é assim que sustenta sua filha. Diz que não tem vergonha de sua profissão mas já sofreu muito preconceito no passado, quando começou nesta atividade. Hoje fala que já está acostumada e não percebe mais o preconceito das ruas com os catadores.

Margarida

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Dona Margarida tem 67 anos, é viuvá, mora com 5 netos e duas filhas num barraco localizado no antigo galpão da fábrica, galpão do qual resta hoje apenas o espaço e a estrutura metálica que sustentava o telhado. É originária da região de Cataguases em Minas Gerais, de onde veio criança fugindo da miséria da zona rural. Dona Margarida levanta com dificuldade do sofá. Diz que está muito cansada pois passa o dia caminhando. É catadora de material reciclado e a dureza da atividade abala a sua já frágil saúde. É diabética, tendo sofrido dois infartos há não muito tempo. Apesar da idade para se aposentar conta que não consegue o benefício pois falta uma certidão de casamento que perdeu quando sua antiga casa veio à baixo. Morava numa casa estava muito velha no Jacarezinho e estadesabou após uma chuva forte, soterrando seus pertences e documentos. Foi parar no Carandiru com a ajuda do filho. Faz elogios à saúde prestada no local pela Clínica da Família, descreve que após uma internação foi atendida diariamente em casa por agentes de saúde. “A doença é muito dura mas não é invencível”.

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Cirlei

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Cirlei chegou há 8 anos no Carandiru vinda de uma violenta experiência imobiliária. Morava no Jacarezinho e vendeu sua casa em busca de uma vida mais calma no Conjunto Nova Sepetiba, Zona Oeste. Lá passou alguns meses até que foi expulsa do novo lar por um mafioso local. Conta que saiu para fazer compras e quando voltou outras pessoas ocupavam sua casa. O mafioso havia vendido, como se fosse dele, a nova morada de Cirlei para outras pessoas. Como consolo o homem disse a Cirlei que ocupasse outra casa de outra pessoa mas que não dissesse que tinha sua autorização. A mulher ficou sem teto e sem  dinheiro, acabando no Carandiru pela ajuda de uma amiga. Hoje vive com uma neta e uma filha adotiva, que acolheu pois a família que morava ali mesmo no Carandiru a “maltratava”. A criança foi “dada” a ela pela família.

Cirlei diz que faltam opções de lazer e esporte para as crianças da região. Reclama da ausência de ONGs e projetos sociais. “As crianças não tem como se desenvolver”.

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Alex

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Alex foi um dos primeiros moradores do Carandiru, fixando residência no local há 12 anos. Chegou até a invasã0 pois constituiu família e não tinha como pagar aluguel. Sua casa está atualmente inabitável, o esgoto invadiu completamente casas vizinhas que ficam no prédio da antiga fábrica, também afetando seu espaço, localizado no antigo galpão. Conseguiu emprestada uma pequena casa de madeira em frente à sua e vive ali precariamente. É ajudante de serralheiro, mas está desempregado. Trabalha fazendo bicos, coletando material reciclado, desmontando ou consertando coisas velhas. Mostra um forno elétrico velho que está consertando e pretende vender por 20 reais. É casado e tem três filhos. Reclama muito dos mosquitos, mostrando diversas marcas em seu filho recém-nascido, Alex Junior. Comenta que conta com a ajuda de igrejas para se sustentar, católicas e evangélicas que eventualmente oferecem a ele pequenos trabalhos ou alimentos. Diz receber 32 reais do Programa Bolsa Família por mês. Só consegue sobreviver com a solidariedade alheia. “Aqui os vizinhos são muito unidos”.

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